|
Quando se fala em bibliotecário, muitas pessoas imaginam que esse profissional seja um mero organizador das estantes da biblioteca, com muitos livros, geralmente escuras e empoeiradas. Esse é apenas um estereótipo, um dos que menos correspondem com a verdade dos fatos, de acordo com a bibliotecária Etiene Lins, que trabalha na Biblioteca de Manguinhos, na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro.
Como bibliotecária, Etiene tem a função de organizar os textos do acervo (livros, artigos e pesquisas), mas também ajuda os pesquisadores na busca por um determinado texto ou fragmento de uma obra do acervo. Em algumas bibliotecas, existe também o trabalho de recuperação e de conservação dos textos, além da filtragem das informações encontradas na internet. Segundo Etiene, essas funções exigem do profissional uma boa memória e o domínio da Língua Portuguesa e outros idiomas, já que o bibliotecário manuseará vários textos, de acervos diversos.
Apesar de todas as atividades descritas anteriormente pertencerem, prioritariamente, à área técnica, o dia-a-dia dos bibliotecários deve - e pode, ir muito além disso. Essa, pelo menos, é a opinião de Etiene, defensora da tese de que, além dos livros, esse profissional deve, sim, se relacionar com o público. "O bibliotecário deve se ver como um educador, pois ele lida diretamente com o público. Ele é uma espécie de mediador entre o usuário e a informação", define.
A opinião de Etiene, que ainda provoca surpresa em muitos colegas, tem sua origem na visão particular que a bibliotecária possui sobre seu local de trabalho. "A biblioteca é um centro de informação, e não um simples arquivo morto de textos", afirma ela, em contraposição à postura de algumas escolas, que faziam da casa dos livros um espaço para a punição dos indisciplinados. "No colégio em que estudei, a biblioteca era o lugar onde, na hora do recreio, cumpriam castigo aqueles que faziam bagunça. Isso desestimula o aluno a procurá-la como um l ocal de diversão. Ela passa a não ser mais um ambiente de lazer", explica.
Fiocruz - A Biblioteca de Manguinhos conta com um boa infra-estrutura, que disponibiliza ao visitante o serviço de internet de banda larga, um grande acervo de livros e artigos internacionais, além de salas de estudo, onde o estudante ou pesquisador pode consultar os textos com privacidade e sem atrapalhar as outras pessoas. Serviços que tornaram a biblioteca uma referência internacional no campo das pesquisas em Medicina Experimental.
Para Etiene, a excelência da biblioteca é fruto da consciência de todos as pessoas que atuam na instituição. "É feito um investimento pesado, por conta dos pesquisadores, do corpo docente e dos cursos de pós-graduação terem essa consciência da importância da atualização constante, tanto do profissional, quanto da biblioteca", relata.
Entretanto, ela reconhece que a biblioteca em que atua é uma exceção no país. "O Brasil não tem políticas claras voltadas para as bibliotecas, apesar da Lei de Incentivo à Cultura. Ela gerou algumas melhorias, mas a realidade no Brasil ainda é diferente da realidade de outros lugares do mundo", declara ela que, no entanto, aposta num prazo de 10 a 15 anos para haver mudanças significativas no setor.
Assim como a biblioteca, os profissionais que nela atuam também não estão entre os mais valorizados e reconhecidos no Brasil. Realidade que, mais uma vez, encontra um contraponto lá fora. "Nos Estados Unidos, ser bibliotecário é ser o ‘bambambã’ de uma profissão, porque eles consideram que você (bibliotecário) é a pessoa que tem o domínio das fontes de informação das pesquisas. Tanto que Biblioteconomia é uma especialização", explica Etiene.
Segunda ela, a explicação para a pouca valorização vem do estereótipo preconceituoso sobre a profissão. "Na época em que falei para os meus pais o que ia cursar na faculdade, eles não me deram muito apoio. Disseram que eu não ia ganhar dinheiro suficiente para me sustentar. Hoje, estou bem e tenho muitos colegas que são bem conceituados", conta.
Ao ser questionada sobre o segredo para se ter sucesso em qualquer carreira, a resposta de Etiene é simples: escolher o que realmente se gosta de fazer. "Tem que ter paixão", afirma a bibliotecária. Para os que ainda estão confusos, ela dá uma dica importante: "Façam um teste vocacional. Ele pode ajudar na escolha da carreira no vestibular".
O que você pode fazer como Bibliotecário Análise da informação: avaliar , selecionar, classificar e indexar livros, documentos, fotos, partituras musicais, fitas de vídeo e de áudio e arquivos digitais. Gestão de serviços de informação: planejar, organizar e administrar bibliotecas e centros de documentação. Coordenar a aquisição do acervo, o arquivamento dos documentos e a conservação dos mesmos. Gestão do conhecimento: desenvolver e gerenciar mecanismos para sistematizar o conhecimento acumulado dentro de uma organização, seja uma empresa, uma ONG, uma escola ou uma associação. Normatização: montar e manter bases de dados, com o emprego de normas internacionais.
Ficha do Curso A graduação em Biblioteconomia pode ser feita em, no mínimo, quatro anos. As disciplinas do curso são divididas em três grandes grupos. No primeiro estão as disciplinas instrumentais, como Língua Portuguesa e Língua Estr angeira. O segundo grupo reúne disciplinas básicas de pesquisa, como Lógica e Métodos e Técnicas de Pesquisa. Por fim, há as disciplinas específicas da profissão, como Administração de Bibliotecas, Controle Bibliográfico e Formação de Coleções.
Mercado de Trabalho O mercado é promissor, pois o profissional pode atuar em diversos locais, seja em empresas, escolas, bibliotecas públicas ou ONGs. O que acontece, geralmente, é a falta de profissionais em algumas regiões. O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), por exemplo, ofereceu três vagas para bibliotecários no seu último concurso. Apenas uma vaga foi preenchida e as outras duas permaneceram ociosas. Para exercer a profissão, o graduado necessita obter registro no Conselho Regional de Biblioteconomia (CRB). Salário médio inicial: R$1.200 |